Série “Fé e Luz pela Vida” promove escuta, acolhimento e conscientização sobre saúde emocional
Em entrevista, Eliane Soares apresentou o trabalho gratuito e sigiloso do Centro de Valorização da Vida e destacou que ouvir sem julgamentos pode fazer diferença na vida de quem enfrenta sofrimento
Por André Moreira Augusto
Publicado em 07/09/2026 11:18 • Atualizado 07/09/2026 14:38
A Rádio e TV Fé e Luz iniciou a série especial “Fé e Luz pela Vida”, criada para promover a valorização da vida e ampliar o debate sobre saúde emocional.
No primeiro programa, o apresentador André Moreira Augusto recebeu Eliane Soares, representante do Centro de Valorização da Vida (CVV), para conversar sobre escuta empática, prevenção do suicídio e voluntariado.
A iniciativa será desenvolvida durante o mês de setembro e pretende tratar o bem-estar humano a partir de diferentes perspectivas profissionais.
Psicólogos, psiquiatras e especialistas de outras áreas deverão participar dos próximos programas, contribuindo para reduzir o preconceito que ainda envolve a busca por ajuda.
Segundo André Moreira Augusto, o conteúdo também poderá ser retomado em outras campanhas, como o Janeiro Branco, permitindo que as reflexões não fiquem limitadas a um único período do ano.
CVV oferece atendimento gratuito pelo telefone 188
Eliane Soares explicou que o CVV é formado por voluntários capacitados para oferecer apoio emocional a pessoas que precisam conversar.
O atendimento é baseado no respeito, no anonimato, no sigilo e na ausência de julgamentos.
O serviço telefônico funciona gratuitamente, 24 horas por dia, pelo número 188. O CVV também oferece atendimento por chat e e-mail, com horários e informações disponíveis no endereço correto cvv.org.br.
Os voluntários são treinados para acolher quem procura ajuda sem críticas ou comparações.
Durante a ligação, a pessoa não precisa se identificar. A conversa permanece confidencial e o voluntário procura criar um espaço seguro para que sentimentos, preocupações e experiências possam ser expressos livremente.
A representante ressaltou que o CVV não substitui o acompanhamento psicológico, psiquiátrico ou médico. O serviço oferece escuta e apoio emocional, enquanto o diagnóstico e o tratamento de transtornos mentais devem ser conduzidos por profissionais de saúde habilitados.
Mudanças de comportamento merecem atenção
Isolamento, silêncio prolongado e perda de interesse por atividades anteriormente prazerosas podem indicar que uma pessoa está enfrentando sofrimento emocional. Esses sinais nem sempre são acompanhados por um pedido explícito de ajuda.
Diante de uma mudança significativa de comportamento, a recomendação é aproximar-se com respeito e disponibilidade. Ouvir verdadeiramente exige que a pessoa deixe de lado, por alguns momentos, suas próprias opiniões e permita que o outro fale sobre a dor que está vivenciando.
Eliane alertou para os riscos de responder ao sofrimento com críticas, julgamentos ou conselhos precipitados. Frases prontas como “isso vai passar” podem parecer reconfortantes, mas também podem transmitir a impressão de que a dor relatada está sendo diminuída.
Em situações de perda de emprego, dificuldades financeiras, morte de uma pessoa querida ou de um animal de estimação, o acolhimento pode começar com gestos simples. Dizer “estou aqui com você”, oferecer companhia ou respeitar o silêncio pode ser mais importante do que tentar apresentar uma solução imediata.
Buscar atendimento profissional não deve ser motivo de vergonha
A entrevista também destacou a necessidade de superar o preconceito relacionado ao atendimento psicológico e psiquiátrico. Eliane comparou a busca por esses profissionais a uma consulta realizada para cuidar de qualquer outra parte do corpo.
André Moreira Augusto lembrou que quem não sabe por onde começar pode procurar uma Unidade Básica de Saúde , que poderá avaliar a situação e orientar sobre o atendimento mais adequado.
Reconhecer a necessidade de acompanhamento não representa fraqueza. Ao contrário, procurar ajuda é uma forma de cuidado e proteção, especialmente quando o sofrimento começa a comprometer a rotina, os relacionamentos, o trabalho ou a capacidade de realizar atividades diárias.
Pandemia evidenciou a importância dos vínculos
Durante o programa, os entrevistados recordaram o impacto da pandemia de Covid-19 sobre a saúde emocional. O isolamento ampliou a solidão de muitas pessoas e tornou ainda mais evidente a importância dos vínculos afetivos.
Os animais de estimação tiveram papel fundamental nesse período, oferecendo companhia e apoio emocional. A entrevista também chamou atenção para o sofrimento provocado pela morte de um animal, uma experiência de luto que muitas vezes é minimizada por familiares, amigos ou colegas.
Para quem desenvolveu uma forte ligação com o animal, a perda pode ser profunda. Nesses momentos, o acolhimento deve reconhecer a legitimidade da dor, evitando comparações ou comentários que desvalorizem o vínculo construído.
André Moreira Augusto mencionou ainda o trabalho da ONG GAAR, na região de Campinas, que acolhe Cães e Gatos, por meio de uma rede de lares temporários.
Apostas e esgotamento profissional preocupam
Outros problemas contemporâneos foram abordados durante a conversa, entre eles a expansão das apostas on-line e o esgotamento profissional.
O endividamento causado pelas chamadas “bets” pode provocar conflitos familiares, ansiedade, vergonha, isolamento e intenso sofrimento emocional. Por isso, o tema deverá ser aprofundado em outros programas da série, com a participação de profissionais preparados para discutir os impactos psicológicos, sociais e financeiros das apostas.
O burnout também foi citado como uma preocupação crescente. Cobranças excessivas, jornadas desgastantes, falta de reconhecimento e remuneração incompatível podem levar trabalhadores ao limite físico e emocional.
Outro ponto de atenção são os desafios perigosos divulgados em redes sociais e plataformas de vídeo. Crianças, adolescentes, familiares e educadores precisam manter diálogo aberto sobre os conteúdos consumidos no ambiente digital, sem transformar a supervisão em punição ou afastamento.
Voluntários recebem capacitação
Para atuar diretamente no atendimento do CVV, é necessário ter pelo menos 18 anos e participar de uma formação específica. De acordo com Eliane, a capacitação dura aproximadamente três meses e reúne encontros semanais com atividades teóricas e práticas.
Após a formação, o voluntário assume plantões semanais de três horas. O atendimento pode ser realizado remotamente, com computador e acesso à internet, ou presencialmente nos postos mantidos pela instituição.
Segundo os dados apresentados pela entrevistada, o CVV contava, em 2025, com aproximadamente 3 mil voluntários responsáveis por cerca de 2 milhões de atendimentos anuais. O alto volume de contatos exige também atenção à saúde emocional daqueles que oferecem a escuta.
Eliane explicou que a duração dos plantões foi reduzida para evitar o esgotamento dos voluntários. Além da formação inicial, as equipes recebem acompanhamento e participam de atividades de suporte, fundamentais diante da complexidade das conversas.
Quem não possui disponibilidade para atuar nos atendimentos pode colaborar por meio de doações ou ajudando a divulgar os canais oficiais. Informações sobre voluntariado e outras formas de contribuição estão disponíveis no site do CVV.
Escuta pode romper o isolamento
No encerramento da entrevista, Eliane Soares reforçou que ninguém precisa enfrentar sozinho um momento de sofrimento. O primeiro passo pode ser conversar com uma pessoa de confiança, buscar um serviço de saúde ou entrar em contato com o CVV.
André Moreira Augusto destacou que a série “Fé e Luz pela Vida” pretende oferecer informação responsável, acolhimento e caminhos concretos de ajuda. Os próximos programas deverão ampliar a conversa sobre saúde mental, solidão, perdas, dependências, relações familiares e qualidade de vida.
Mais do que apresentar respostas prontas, a proposta é incentivar uma cultura de atenção ao próximo. Em uma sociedade marcada pela pressa e pelo isolamento, dedicar tempo para ouvir alguém com respeito pode representar um gesto decisivo de cuidado.
Precisa conversar?
O CVV, oferece apoio emocional gratuito, sigiloso e sem julgamentos pelo telefone 188, disponível 24 horas por dia.
Também é possível acessar chat e e-mail pelo site cvv.org.br.
Emergência
Em uma emergência imediata, procure o serviço Público de Saúde.